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DOUTRINA DE COMANDO

Como estão estruturados e como funcionam os comandos das Guardas Civis Municipais no Brasil?

 

 

Algumas reflexões sobre as estruturas e formas de comandar uma Guarda Municipal no Brasil à luz das Teorias de Administração.

 

 

 

Como estão estruturados e como funcionam os comandos das Guardas Civis Municipais no Brasil? Apenas o Comandante manda?

Ele recebe ordens diretas do Secretário de Defesa ou Secretário de Segurança do município e, sozinho, distribui todas as atribuições aos demais?

Ora se comandar é: “mandar com”; com quem mais o comandante divide as atribuições? Com quem mais ele “com-manda”?

Independentemente da estrutura, se pequena ou grande, se inspirada nas organizações militares ou em organizações civis, públicas ou privadas, qual o modelo dessas organizações?

As Polícias Militares adotaram o modelo das organizações militares, das Forças Armadas e por isso mesmo o comando é exercido pelo Comandante e seu Estado-Maior.
Assim, a organização não refrete uma personalização do poder centrado em apenas uma pessoa no pico da pirâmide organizacional; mas reflete um “mandar+com” que passa a ser um pensamento coletivo do Comandante e seu Estado-Maior.

Em administração, enquanto campo de estudo, se afirma que podemos delegar as atribuições, mas não se delegam as responsabilidades. Na prática, é por isso que em muitos casos, quando a Segurança Pública não vai bem, o governante acha que a solução é trocar de comandante.

Algumas organizações experimentam os “mandos” mais centralizados, em uma só pessoa, o que passa a ser uma personificação do poder, como se pudéssemos ilustrar: “O Rei sou Eu” ou “Eu tenho a Força”, ou ainda “Eu e o resto”.

Não raramente ocorre que esse “resto” fica torcendo para que dê tudo errado e se troque o comandante. Quem adota esse modelo, não raramente vive o “mundo de Poliana”¹ e sempre é surpreendido sem saber a diferença entre Chefiar e Liderar. Corre sempre o risco de ao afirmar:”sigam-me os bons” e ao olhar para trás, não ver ninguém lhe seguindo. Por isso a sabedoria oriental já afirmava que o verdadeiro Líder se posiciona junto aos liderados estimulando-os a seguirem em frente, ao invés de tomar a dianteira sozinho.


¹ A Síndrome de Poliana (também chamado de Polianismo ou tendência à positividade) é a tendência que as pessoas têm de se lembrarem mais facilmente de coisas agradáveis do que de coisas desagradáveis. Pesquisas indicam que, no nível subconsciente, a mente tem uma tendência a se focar no otimismo; enquanto no nível consciente, ele tem uma tendência a se concentrar no negativo. Este viés subconsciente para o lado positivo é muitas vezes descrito como a Síndrome de Poliana e é semelhante para o efeito Forer.

 

OS MODELOS NA ADMINISTRAÇÃO

Quando estudamos os modelos de administração, vemos que apesar das inúmeras variáveis que os autores apresentam, podemos para efeito desse estudo nosso, resumir a algumas visões do tipo:

• eu mando e o resto obedece – modelos verticalizados ou em Linha;
• eu mando mas consulto outras pessoas antes de tomar decisões – Linha-Staff;
• eu mando mas delego para várias pessoas com autonomia em suas decisões – Modelos em Rede (decorrentes da influência da teoria de sistemas e teoria da contingência.

Vejamos cada um separadamente.

 

A estrutura linear

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta é a estrutura organizacional mais antiga que existe. Ela tem o nome “linear” porque é extremamente verticalizada: começa com alguém da alta administração da organização e vai descendo para níveis mais baixos com apenas um “setor”.
As estruturas lineares, muitas vezes, tomam a forma piramidal (de pirâmide!), pois começam por um chefe, tendo, em média, dois subordinados, e cada um desses dois com mais dois subordinados, em média, e assim por diante.
Podemos ver claramente esse tipo de estrutura tanto na área militar (Exércitos, Polícias Militares, Guardas Municipais) como também na Igreja Católica.

 

Influência da organização militar

A seguir, transcrevemos um trecho do livro de CHIAVENATO (2014) que nos esclarece sobre a influência da organização militar nas outras administrações de outras instituições. Sem dúvida, explica porque as Guardas Municipais também receberam essa influência na sua forma de se estruturar e de ser administrada.

“A organização militar influenciou poderosamente o aparecimento das teorias da administração. O general filósofo chinês Sun Tzu (544-496 a.C.) – ainda reverenciado nos dias de hoje – escreveu um livro sobre a arte da guerra, no qual trata da preparação dos planos, da guerra efetiva, da espada embainhada, das manobras, da variação de táticas, do exército em marcha, do terreno, dos pontos fortes e fracos do inimigo e da organização do exército. As lições de Sun Tzu ganharam versões contemporâneas de muitos autores e consultores.

Na Antiguidade e na Idade Média, a organização militar dos exércitos já utilizava a chamada estrutura linear. O princípio da unidade de comando (pelo qual cada subordinado só pode ter um superior) é o núcleo das organizações militares. A escala hierárquica – ou seja, os escalões hierárquicos de comando com graus de autoridade e responsabilidade – é um aspecto típico da organização militar utilizado em muitas organizações de hoje. À medida que o volume de operações militares aumenta, cresce também a necessidade de se delegar autoridade para os níveis mais baixos da organização militar.

Na época de Napoleão Bonaparte (1769-1821), cada general, ao chefiar seu exército, cuidava da totalidade do campo de batalha. Com as guerras de maior alcance e de âmbito continental, o comando das operações exigiu novos princípios de organização e um planejamento e controle centralizados em paralelo com operações de campo descentralizadas. Com isso, passou-se à centralização do comando e à descentralização da execução das operações militares.

Outra contribuição da organização militar é o princípio de direção, que preceitua que todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e aquilo que ele deve fazer. Mesmo Napoleão Bonaparte, o general mais autocrata da história militar, nunca deu uma ordem sem explicar seu objetivo e certificar-se de que havia sido compreendido corretamente, pois estava convencido de que a obediência cega jamais leva a uma execução inteligente”.

A estrutura linear-staff

A linha-staff é a junção entre o modelo por funções e por hierarquia. Sendo que uma das suas principais características é que as empresas, ao adotarem essa configuração, costumam contar com um setor de assessoria. Veja alguns exemplos:

• assessoria de comunicação;
• assessoria de relações internacionais;
• assessoria em gestão de pessoas.

Os assessores possuem, para a administração, função de staff. A tradução literal de “staff” é “pessoal” ou “equipe”, o que nos deixa a seguinte reflexão: mesmo que os assessores não façam parte da empresa, eles têm função de auxiliar os administradores em determinadas áreas, ou seja, eles têm uma espécie de “função de equipe”. Entretanto, os assessores não possuem responsabilidade de linha. Responsabilidade de linha significa, basicamente, responsabilidade de tomar decisões acerca do que foi aconselhado pela assessoria. É a administração (ou, muitas vezes, a alta administração) da empresa quem toma esse tipo de decisão – de implementar, ou não, o que os assessores aconselham.

 

A estrutura em rede

 

A Estrutura em Rede, ou Organização em Rede, é um tipo de macro-estrutura organizacional que funciona segundo uma lógica de organograma circular ou em forma de estrela, no centro da qual está a organização principal. Em torno desta organização principal estão diversas outras entidades que prestam serviços à primeira: por exemplo, determinadas fases da produção, distribuição, sistemas de informação, etc.). O funcionamento deste tipo de organização assente geralmente em modernos sistemas informáticos e de telecomunicações que permitem a centralização da gestão e do controlo de todos os processos.

Preste atenção a lenda africana sobre cooperação

Filosofia ubuntu

“Um antropólogo visitou um povoado africano. Ele quis conhecer a sua cultura e averiguar quais eram os seus valores fundamentais. Assim que lhe ocorreu uma brincadeira para as crianças. Ele colocou um cesto de frutas perto de uma árvore. E disse o seguinte às crianças:
– A primeira que chegar à árvore ficará com o cesto de frutas.
Mas, quando o homem deu o sinal para que começasse a corrida em direção ao cesto, aconteceu algo inusitado: as crianças deram as mãos umas as outras e começaram a correr juntas. Ao chegarem ao mesmo tempo todos desfrutaram do prêmio. Eles se sentaram e repartiram as frutas.
O antropólogo lhes perguntou por que tinham feito isso, quando somente um poderia ter ficado com todo o cesto. Uma das crianças respondeu:
– ‘Ubuntu’. Como um de nós poderia ficar feliz se o resto estivesse triste?
O homem ficou impressionado pela resposta sensata desse pequeno. Ubuntu é uma antiga palavra africana que na cultura Zulu e Xhosa significa ‘Sou quem sou porque somos todos nós’. É uma filosofia que consiste em acreditar que cooperando se consegue a harmonia, já que se consegue a felicidade de todos. Ubuntu pra você!” (MEDINA,2016).

 

CONCLUINDO….

A ideia em escrever esse artigo, ao invés de aprofundar e tornar um estudo entediante, era provocar a reflexão sobre qual modelo a Guarda Municipal a que pertenço está estruturada. Despertada então essa curiosidade sei que o leitor poderá procurar aprofundar através da bibliografia recomendada.

Porém uma pergunta não quer calar é: até que ponto apenas uma pessoa toma decisões numa organização do tipo Guarda Municipal nos dias de hoje, e até que ponto o guarda municipal, lá na ponta do sistema, tem autonomia para tomadas de decisões. Principalmente quando se fala de filosofia de polícia comunitária que pressupõe essa autonomia nas tomadas de decisões.

Tenho nesses anos em que participo da formação de novos guardas municipais, me preocupado com a especialização e com os diversos cursos que sejam necessários à progressão na carreira desses profissionais, para que não fique apenas num treinamento inicial, numa capacitação por ocasião do ingresso na corporação mediante um concurso público. Sabendo que a progressão na carreira e ocupação de cargos na estrutura da organização requer não somente a maturidade do funcionário, mas a especialização para cada nível. Recordo de meus tempos na Polícia Militar de Pernambuco e “vi com meus próprios olhos”, muitos profissionais que participavam de cursos apenas porquê era obrigatório para a promoção ao próximo nível, caso contrário nunca participariam porque não gostavam de estudar. Isso me leva a crer que é de interesse da organização com a visão do todo, capacitar seus integrantes, antes mesmo que ser um objetivo pessoal, é um objetivo da instituição.

Portanto, boas reflexões a respeito!

 

BIBLIOGRAFIA

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 9.ed. Barueri: Manoele Ltda, 2014. 621p.

MEDINA, Vilma. Ubuntu, lenda africana sobre a cooperação. guiainfantil.com, 2016. Disponível em:< https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valores/ubuntu-lenda-africana-sobre-a-cooperacao/> . Acesso em: 20jun 2021.

Síndrome de Poliana – Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Poliana . Acesso em: 20jun2021.

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